Informalidade cai a 37,5% e renda média sobe para R$3.652 — mercado melhora?
A taxa de informalidade no Brasil caiu para 37,5% no trimestre de novembro de 2025 a janeiro de 2026, segundo a Pnad Contínua do IBGE. Esse patamar corresponde a cerca de 38,5 milhões de trabalhadores em situação informal e representa o menor nível observado desde julho de 2020. Ao mesmo tempo, o rendimento real habitual chegou a R$ 3.652, o maior valor da série, com alta de 2,8% no trimestre e 5,4% em 12 meses.
O que os números mostram
Comparado ao trimestre móvel anterior (37,8%) e ao mesmo período de 2024 (38,4%), o recuo para 37,5% indica uma trajetória de queda que, segundo o IBGE, vem se acentuando desde 2022. Parte dessa redução é explicada pela retração do emprego sem carteira no setor privado e pela maior cobertura de registro no CNPJ entre trabalhadores por conta própria, ou seja, mais formalização por via de cadastro empresarial.
É importante lembrar que o menor ponto da série ocorreu em junho de 2020 (36,6%), num momento atípico marcado pela pandemia. Descontando essa anomalia, o indicador atual é o mais baixo da série, o que sinaliza melhora na composição do emprego.
Carteira assinada, conta própria e demais vínculos
Os empregados no setor privado com carteira assinada (excluídos os domésticos) somaram 39,4 milhões, mostrando estabilidade no trimestre e avanço de 2,1% no confronto anual — cerca de 800 mil vagas formais a mais em 12 meses. O total de empregados sem carteira no setor privado ficou em 13,4 milhões.
Trabalhadores por conta própria ficaram em 26,2 milhões, também estáveis no trimestre, com avanço anual de 3,7% (+927 mil). Trabalhadores domésticos somaram 5,5 milhões, estáveis no trimestre, mas com recuo anual de 4,5% (-257 mil).
Esses movimentos indicam que, embora a população ocupada esteja relativamente estável no curto prazo, há uma mudança gradual na composição das formas de inserção, com ganho relativo de vínculos mais formais ao longo do ano.
Setores que geraram (e perderam) vagas
No confronto trimestral, houve crescimento em Informação, Comunicação e Atividades Financeiras, Imobiliárias, Profissionais e Administrativas (+2,8%, ou +365 mil pessoas) e em Outros Serviços (+3,5%, ou +185 mil). Em sentido contrário, a indústria geral apresentou recuo de 2,3% (-305 mil pessoas).
Na comparação anual, destacaram-se avanços em Informação e áreas financeiras (+4,4%, +561 mil) e no grupamento que reúne Administração pública, Educação e Saúde (+6,2%, +1,1 milhão). Serviços domésticos registraram queda anual (-4,2%, -243 mil).
Essa mudança setorial é relevante porque setores como tecnologia, comunicação e serviços profissionais tendem a oferecer maior formalização e rendimentos médios mais altos, contribuindo para a elevação do rendimento habitual observado na série.
O que é informalidade e por que importa
No jargão estatístico, informalidade envolve formas de trabalho sem proteção legal ou previdenciária plena: ausência de carteira assinada, falta de contribuição consistente ao INSS ou vínculos que não garantem direitos trabalhistas. Para os trabalhadores, isso significa menor acesso a benefícios como FGTS, seguro-desemprego e aposentadoria contributiva, além de maior insegurança de renda.
A formalização tende a ampliar a proteção social e pode elevar o rendimento médio agregado, mas a qualidade do vínculo formal importa: uma carteira assinada com remuneração insuficiente e jornadas extenuantes não equivale, necessariamente, a trabalho decente. Por isso, além da queda na taxa de informalidade, é preciso acompanhar a composição contratual e a evolução real dos salários.
Como interpretar para RH e gestores
- Oferta de talentos: A tendência de formalização e o avanço nos setores de serviços e informação indicam maior disponibilidade de mão de obra qualificada e pressão por condições formais de trabalho.
- Requalificação: A retração na indústria aponta para deslocamentos setoriais que exigem políticas de requalificação e atualização de competências.
- Rendimento e consumo: A manutenção do rendimento médio em patamar mais elevado favorece consumo e estabilidade das equipes, mas é necessário monitorar inflação e diferenças regionais que podem corroer ganhos reais.
Sobre a pesquisa (Pnad Contínua)
A Pnad Contínua é a principal pesquisa do país sobre mercado de trabalho, abrangendo 211 mil domicílios em cerca de 3.500 municípios por trimestre. Cerca de 2 mil entrevistadores do IBGE participam da operação. Durante a pandemia a coleta foi realizada por telefone a partir de 17/03/2020, retornando ao modo presencial em julho de 2021 — aspecto a ser considerado ao comparar séries históricas.
Conclusão
Os dados apontam para uma melhora gradual na qualidade do emprego: queda da informalidade, aumento de vagas formais no comparativo anual e rendimento médio em alta. Ainda assim, trata-se de um movimento com diferenças setoriais e regionais que exigem atenção das empresas e políticas públicas voltadas à qualificação e à proteção social. A interpretação prática desses números é essencial para decisões em gestão de pessoas e planejamento estratégico.
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